Taylor-Swift
A cantora norte-americana Taylor Swift (FOTO: Reprodução)

Quando surgiu a disputa envolvendo Taylor Swift e a compra de sua antiga gravadora (Big Machine) pelo empresário Scooter Braun, fãs de todo o mundo assinaram uma petição digital para que a artista regravasse todo o seu catálogo de canções. Seria uma forma efetiva, ainda que trabalhosa, de desmonetizar a Big Machine em relação aos hits dos seis primeiros álbuns da cantora. E parece que Taylor Swift deu ouvido aos fãs.

Numa entrevista para o canal de TV norte-americano CBS, a artista, que lançará seu sétimo disco nesta sexta-feira (dia 23) já numa nova gravadora, confirmou que existem planos para uma regravação dos álbuns.  “Sim, absolutamente”, respondeu Taylor ao apresentador. A entrevista em vídeo só será exibido no próximo domingo (dia 25), mas um trecho já foi compartilhado nesta quarta-feira.

A petição online teve grande repercussão no início de julho e atualmente já ultrapassa 210 mil assinaturas. “A intenção de Scooter é 1) ganhar dinheiro com os números imensos dos trabalhos anteriores de Taylor; 2) não certificar suas músicas, assim ela não se beneficiará da divulgação e atenção que certificações de diamante trazem, desacreditando a maior força da cultura pop hoje.  Você vai deixar que 12 anos de trabalho de uma mulher independente sejam desacreditados, manipulados e distorcidos para ganhos pessoais?”, aponta o texto que justifica a criação da petição.

“Lover”, o primeiro álbum de Taylor fora da Big Machine e com todos os direitos reservados para a cantora, será disponibilizado nesta sexta-feira (dia 23) e já é um sucesso de vendas. O álbum é disco triplo de platina na China, acumulando quase um milhão de cópias mundialmente vedidas ainda em pré-venda.

ENTENDA A DISPUTA

A indústria musical foi palco de uma grande discussão nestes últimos meses. De um lado, Taylor Swift, uma das principais cantoras do mercado e detentora de inúmeros recordes na indústria. Do outro, Scooter Braun empresário de nomes como Justin Bieber, Ariana Grande e Demi Lovato.

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O que rolou é que Taylor Swift descobriu que o empresário Scooter Braun comprou a Big Machine Records, gravadora da qual ela era contratada até meses atrás. Assim, o empresário passou a ser proprietário das gravações originais (“masters”) da popstar.

O magnata portanto, passou a ser a dono de tudo o que ela gravou até o álbum “reputation”, mais precisamente. O grande problema é que Taylor Swift desaprova totalmente Scooter Braun – e tem suas razões. A cantora, inclusive publicou uma carta aberta no Tumblr neste domingo (dia 30) explicando seus motivos. Leia na íntegra:

Scott Borchetta, da Big Machine Records, e Scooter Braun

Por anos eu pedi, implorei por uma chance de ser dona do meu trabalho. Em vez disso, tive a oportunidade renovar com a Big Machine Records e ‘ganhar’ um álbum de volta de cada vez, um para cada novo que eu entregasse. Eu fui embora porque sabia que uma vez que assinasse esse contrato, Scott Borchetta venderia a gravadora, vendendo assim a mim e meu futuro. Eu tive que fazer a escolha excruciante de deixar para trás o meu passado. Músicas que escrevi no chão do meu quarto e vídeos que sonhei e paguei com o dinheiro que ganhei tocando em bares, depois clubes, depois arenas, depois estádios.

Algumas curiosidades sobre as notícias de hoje: soube da compra das minhas gravações originais pelo Scooter Braun, conforme anunciado ao mundo. Tudo o que eu conseguia pensar era no incessante e manipulador bullying que eu recebi de suas mãos por anos.

Como quando Kim Kardashian orquestrou o vazamento de um trecho de um telefonema ilegalmente gravado e, em seguida, Scooter reuniu seus dois clientes para me intimidar on-line sobre isso (ver foto abaixo). Ou quando o seu cliente, Kanye West, organizou um vídeo pornô de vingança que expunha o meu corpo nu. Agora o Scooter me tirou o trabalho da minha vida, que eu não tive a oportunidade de comprar. Essencialmente, meu legado musical está prestes a ficar nas mãos de alguém que tentou destruí-lo.

Este é o meu pior cenário. É o que acontece quando você assina um contrato aos quinze anos com alguém para quem o termo ‘lealdade’ é claramente apenas um conceito contratual. E quando esse homem diz ‘a música tem valor’, ele quer dizer que seu valor é devido a homens que não participaram da criação.

Quando deixei meus ‘masters’ nas mãos de Scott, fiquei em paz com o fato de que, eventualmente, ele os venderia. Nunca em meus piores pesadelos imaginei que o comprador seria Scooter. Toda vez que Scott Borchetta ouviu as palavras ‘Scooter Braun’ escaparem de meus lábios foram quando eu estava chorando ou tentando não chorar. Ele sabia o que estava fazendo; ambos fizeram. Controlando uma mulher que não queria estar associada a eles. Na perpetuidade. Isso significa para sempre.

Felizmente, agora estou de contrato assinado com uma gravadora que acredita que eu devo possuir qualquer coisa que eu crie. Felizmente, deixei meu passado nas mãos de Scott e não o meu futuro. E, esperançosamente, jovens artistas ou crianças com sonhos musicais lerão isso e aprenderão sobre como se proteger melhor em uma negociação. Você merece possuir a arte que você faz.

Eu sempre estarei orgulhosa do meu trabalho anterior. Mas para uma opção mais saudável, o ‘Lover’ será lançado no dia 23 de agosto.

Triste e atordoada,

Taylor