Rennan da Penha
O DJ e produtor carioca Rennan da Penha (FOTO: Reprodução)

Antes de ser preso, em abril deste ano, o DJ e produtor Rennan da Penha tinha uma entrevista agendada com o apresentador Pedro Bial, na Rede Globo. Agora, livre depois de ser beneficiado com uma nova decisão do STF e após ter assinado um contrato com a Sony, o músico conseguiu cumprir o compromisso e marcou presença no ‘Conversa Com Bial’ desta quinta-feira (dia 12).

Durante a conversa, Rennan da Penha revelou detalhes da vida dentro da cadeia, com destaque para a precariedade do sistema carcerário brasileiro. “Nosso sistema carcerário é muito precário. Em uma cela com capacidade para duas pessoas, são colocadas seis, sete. É desconfortável. Na primeira vez que fui preso, fiquei numa cela com 120 pessoas com capacidade para 75, mas não doeu tanto, porque não tinha conquistado o que conquistei”, declarou.

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O DJ também comentou sobre as questões psicológicas de uma pessoa dentro da cadeia. “Quando a gente tá naquele lugar ali, a esperança meio que morre. As coisas mais simples são as que fazem mais falta. Queria comer uma rabada com agrião, pensava: ‘o baile está pegando fogo e eu estou aqui’”, afirmou.

Numa primeira instância judicial, Rennan tinha sido absolvido das acusações de relação com o tráfico de drogas nas favelas do Rio de Janeiro. “Eu fui absolvido e depois condenado. Estamos junto com meu advogado para provar minha inocência. Não posso ser acusado por uma coisa que não cometi”, assegurou.

DJ Rennan da Penha revelou ter uma teoria sobre o que o levou a ser associado aos crimes. “Foi um erro meu postar uma foto com uma réplica de fuzil feito de madeira com fita isolante no Carnaval de 2014. Peguei uma arma de um garotinho e tirei uma foto. Primeiramente fui acusado de ser olheiro do tráfico, que monitora a passagem da polícia na comunidade. Postei que o Caveirão estava entrando. Fui na vibe de avisar a comunidade e não sabia que ia dar tanto problema”, contou.

O músico se recordou que a carreira estava deslanchando quando foi preso e chegou a pensar que perderia tudo. “Viajei para o Egito, México, alguns países, ia fazer turnê na Europa, Estados Unidos. Do nada, tiraram tudo de mim. O que aconteceu poderia ter acabado não só com minha vida, mas com a minha carreira por completo. Tenho 11 anos de funk, lutei muito para chegar onde cheguei”, comentou.

Rennan da Penha concluiu o assunto se mostrando esperançoso com relação ao futuro da carreira e demonstrando surpresa por ter recebido uma boa proposta por parte da gravadora Sony. “Espero dar uma retomada tanto na vida pessoal quanto musical. Fiquei muito surpreso com a proposta de alavancar minha carreira, viram potencial em mim. Quero levar MCs da comunidade para alavancar junto. Tem muitas pessoas com talento na comunidade”, falou.